Ha alguns minutos descobri que as entrevistas finais do Processo de Seleção para o Duplo Diploma começam amanhã. E como não postei nenhuma informação a tempo no blog, não ajudei ninguém. O que me deixou bastante triste pois quando eu estava me preparando obtive bastante ajuda. Lembro do email da Débora (Centrale Paris) que eu passei dias esperando, mas que chegou a tempo, e que foi muito importante para a minha entrevista, as perguntas e mais perguntas que eu fazia a todos no caminho.
O processo de seleçao na UFC (na UFC, pois cada uma das seis universidades participantes tem seu proprio metodo) se da em quatro fases: analise de curriculo, prova de matematica, entrevista com comissao da UFC e, por ultimo, a tão aguardada entrevista com a comissão francesa.
Me inscrevi na seleçao soh por me inscrever, não tinha muitas esperanças de conseguir. Tinha certeza que não conseguiria. Para mim, os alunos que estavam na França participando do Duplo Diploma eram quase semi-deuses...rsrsrs Seria impossivel fazer algo igual. Para minha surpresa, ao contrario das dezenas de alunos que eu achava que iriam se inscrever, tivemos catorze ou treze candidatos, se não me engano. Eu era a unica menina.
Meu IRA, a nota geral que temos na UFC, não estava tanto entre os melhores, mas tudo deu certo na analise de curriculo. Proxima fase seria uma prova de matematica. Perguntei aos veteranos quais as questões do ano anterior e me concentrei em estudar cada um dos cinco assuntos, resolvendo exercicios. Sorte que mais da metade do conteudo cobrado eram de disciplinas que eu estava estudando, ou seja, uma semana de estudos foi suficiente. Nao sei que nota tirei, mas deu pra passar.
A primeira entrevista foi marcada, seria com os professores que organizam o programa na UFC. Professores com os quais passamos a ter bastante contato apos o resultado final. Lembro que havia me preparado para perguntas basicas: por que queria participar? qual meu plano profissional? o que eu conhecia do programa? Tambem pesquisei um pouco sobre as principais empresas francesas. E a primeira pergunta foi.... fale sobre você e sua familia. Eh, para isso eu não tinha me preparado. Fiquei nervosa e saih da sala com a certeza de que não iria passar dessa fase. Quando saiu o resultado, todos nos haviamos passado. Eramos apenas onze se não me engano.
Para a entrevista final (que, para o processo 2010, começara amanhã) senti que teria de me preparar mais. Foi quando recebi o email da Debora, com as principais perguntas, dicas, enfim. Baseado nisso, fiz uma lista de vinte perguntas principais, procurei respostas para cada uma, traduzi para o francês e passei uns três dias ensaiando com minha mãe. Ensaindo como falar alto, falar claro e decorando mesmo as frases. Nao frases aleatorias, somente frases que traduzissem da melhor forma possivel o que eu queria dizer.
Primeiro, elaborei uma pequena apresentaçao da minha pessoa, falando de familia, de estudos, um pouquinho do meu percurso, as dificuldades que enfrentei. E depois foram as tipicas: por que eu quero participar, o que eu conheço, quais meus planos para o futuro, por que esse programa seria importante para esses planos, o que eu espero do programa, o que eu conheço das ecoles, da França. Tambem quis mostrar que fazia muito tempo que conhecia o programa e por causa dele tinha começado a estudar francês antes de entrar na universidade. Me preparei para falar de empresas, em quais gostaria de fazer estagio. Tambem, citar pontos fortes, falar sobre o curriculo e tudo isso em francês. Mostrar que seria capaz de morar longe, de resolver os problemas sozinhas. Outra coisa: elaborar questões. Na primeira entrevista, me perguntaram se eu tinha alguma duvida em relaçao ao programa, o que eu queria saber mais, e eu não tinha muito o que falar.
No dia da entrevista, nem precisa dizer que as quase duas horas para chegar na UFC foram uma das mais longas da historia. Damas primeiro, eu seria a primeira a ser entrevistada.
As entrevistadoras chegaram. Apos algum tempo esperando e conversando com a professora Natalia, o que foi muito importante naquele dia, entrei na sala de entrevistas. Quando a entrevistadora (Emilie, que jah revi algumas vezes aqui na França) disse "bonjour" e perguntou, em francês, se eu preferiria fazer a entrevista em francês ou inglês, e eu entendi o que ela falou, foi muito legal. Era a primeira vez, depois de dois anos e meio estudando, que eu ouvia um nativo falando francês, e era muito lindo....srsrsr. A unica frase que explica o que aconteceu foi: baixou o santo. Eu estava muito calma, eu ainda conseguia me lembrar bem de todas as perguntas e respostas. Eu sabia por onde começar.
A entrevista foi tranquila. Elas não eram pessoas que estavam ali pra te desestabilizar, te medir. Elas queriam conhecer os alunos, e até explicar possiveis duvidas. Num ponto da entrevista, elas falavam mais que eu. Me perguntaram quase todas as questoes acima e mais duas que eu não estava esperando. Havia me preparado para falar um pouco sobre a cultura francesa, o que eu gostava, alguns filmes que tinha visto. E elas me perguntaram qual o ultimo filme francês que eu tinha assistido. O problema é que eu soh tinha visto dois. E se elas perguntassem sobre outro? rsrsr Outra coisa para qual não havia me preparado: apontar um defeito. Tive que desenrolar na hora. Falei sobre timidez.
Enfim, tudo que eu havia preparado foi utilizado na entrevista. Preparei também uma pequena conclusão, para resumir a mensagem que eu queria passar. Mas acho que até esqueci de dizer no final. Sai da sala contente, não achando que iria passar, mas feliz por ter feito o melhor, ou quase. Com o passar do dia, o otimismo foi sumindo.
Dai para frente foi so angustia até sair o resultado final.
Muito tempo depois, jah em Vichy, recebemos a visita da Emilie Poirson, num almoço com os alunos que iriam para Nantes. Ao final da reunião perguntei, francamente, por que nos tinhamos sido escolhidos, não os outros? O que era realmente importante?
Claro que ela disse que seria dificil responder à essa pergunta, pois são muitos os fatores que contam. Porém, o principal seria mostrar que tem um objetivo com o programa, que não é so do tipo "ah quero ir pra França". Eh saber o que quer fazer. Apos as entrevistas, os entrevistadores se reunem e decidem quem serão os aprovados. Nessa hora, o curriculo conta, as notas contam, mas conta sobretudo a impressão que se deixa na entrevista, a idéia de que, se aprovado, você sera capaz de seguir em frente com o programa.
E apos tanto tempo que isso tudo começou, antes de dormir, às vezes ainda penso: que foda estar aqui! Fazem três meses que tudo começou e ainda parece surreal.