segunda-feira, 26 de julho de 2010

A quase rotina do Cavilam.

Minha turma no Cavilam. A magra de preto, bem no centro, é a professora, Rose Marie.

O Cavilam eh um lugar muito legal. Aqui voce estuda com chines, almoça com russo, entra no banheiro e tem uma mulçumana arrumando o lenço, vai o jardim depois do almoço e escuta uns dez idiomas diferentes ao mesmo tempo. Percebe que as pessoas nao sao tao diferentes. Dah pra conversar tranquilamente numa roda com japoneses, arabes e alemaes como se estivessemos numa roda de brasileiros, eh menos barulhento eh claro..rsrs O que mudam sao pequenos detalhes: a roupa, o jeito de comer...mas todos sao muito legais, pelo menos comigo foi assim.

Vale lembrar que chegar na França, direto numa escola de engenheiro, ou mesmo numa grande cidade, deve ser completamente diferente de chegar em Vichy, no Cavilam. Por mais que sejamos estrangeiros, somos "maioria" aqui.

Primeiro, eu e a Kayoko (japonesa), um origami que a Ayumi fez, e por ultimo,da esquerda pra direita: Kayoko, Sofia(italia), Cyntia(Sibéria) e o Tak, japonês que mora comigo.

Segunda –feira é quando tudo começa: recebemos o programa de atividades da semana, com seus devidos preços e assim que termina a aula é hora de ir pra fila, comprar os ingressos. Também é o dia em que chegam novos alunos. Acredite: toda segunda chegam novos alunos, de todo que é lugar. Hoje foi um grupo de uns vinte africanos que chegou. Toda segunda tem o passeio historico de Vichy, pra apresentar os principais pontos turisticos da cidades, eu ainda nao fui :(

Terça tem cinema de graça, esporte. Tem também o Festival de Cusset, perto da casa onde moro. Na verdade é toda terça e quinta. Tem de tudo no Festival: dança, teve o show do Babylon, leitura de contos, musica irlandesa, enfim...

Toda quarta tem um passeio depois da aula, nessa semana vai ser a visita do Château de La Palice. Os passeios de quarta (demi journée) custam em torno de 10 euros.

Quinta tem cinema de novo no Cavilam(gratis) e degustaçao de vinhos, queijos e produtos tipicos (5 euros, com seu mastercard).

Sexta geralmente tem alguma excursao, mas nao eh sempre e tem a Soirée, que é uma festa normal, boate, bebida e voilà. Uma vez ao mês tem a Soirée internacional, que é mais uma apresentação: cada pais deve apresentar sua cultura, tem telão, gente que traz comida tipica ou artesanato, eles vem caracterizados. Tipo a japonesa que estuda comigo colocou o quimono, os arabes vieram com umas roupas que eu nao sei o nome (não, não era de homem-bomba...pessoas da mente suja). A gente foi de "a gente" mesmo.

Sabado e Domingo sao os dias das grandes excursoes: passar o dia em outra cidade ou em um parque, subir os picos que tem por aqui, geralmente sao mais caros (35 a 65 euros).

Muito boa essa rotina..rsrs

Grupo de brasileiros em uma dos passeios de fim de semana.


Troca de Familia

Diretamente da Record.

Todo mundo jah sabe, mas mesmo assim eu vou contar.

Quando eu cheguei em Vichy, fiquei bem contente por ter ficado numa casa com internet, um quarto grande, um banheiro soh pra mim, ficar proxima ao Cavilam e ao centro da cidade. Eu jamais achei que ia pedir pra sair.

No primeiro dia a Mme. Tilloy me disse quais eram as regras da casa. Eu não poderia dar descarga depois das 22:00 porque era uma descarga mecânica e fazia muito barulho, eu soh poderia passar uns cinco minutos no banho (“porque a agua aqui custa muuuuuuito caro, 3 euros o metro cubico”, quantas vezes ouvi essa frase...), eu deveria dizer sempre os meus horarios e ser pontual. Fora outras muitas e isso foi no primeiro dia. O problema é que no dia seguinte ela repetia algumas e acrescentava outras: você não pode acender essa luz tem que ser aquela outra, quando abrir a geladeira tem que prestar atenção, tem que manter a luz do abajur ligada, não pode deixar a luz da escada ligada, tem que fechar sempre a porta...Esse era o assunto da merenda e do jantar. Regras que ela fazia questão de repetir quase todo dia, como se eu tivesse algum problema mental . E se eu fizesse cara de “Que merda eu jah sei disso, é a milésima vez que você fala”, aih ela ia explicar porque era tão importante que eu soubesse disso tudo.

Eu ainda tava até contente. A foto foi no dia do aniversario da mexicana, que ficou conosco no começo de julho.

Até aih tudo bem, dava pra aguentar essas chatices, era soh fingir que tava escutando e contar carneirinhos. E tinha até momentos agradaveis, poucos mas tinha. O problema é que ela era realmente chata, de ficar reclamando das coisas (“ça m’enerve” o tempo todo) e ela sabia de tudo. Foi então que eu fiquei doente, e teve um dia que eu realmente tava muito mal, dor de cabeça e a garganta muito inflamada, porém sem febre. Eu fui então perguntar a ela se eu poderia ir a um hospital. Ao invés de me dizer que na França não se vai ao hospital nesses casos, e sim a um consultorio, ele riu, disse que eu não poderia ir a um hospital porque eu não tinha nada de grave e pra completar disse que essa doença era coisa da minha cabeça, frescura. Ah, vah pra *#&*#. Resolvi ir na farmacia, me passaram um remédio pra sinusite alérgica e passou.

E eu ainda não estou contando com o aniversario que ela cobrou, o quarto que era muito quente, as noites que eu tive que dormir sozinha na casa e a melhor de todas: para uma dessas noites estavam prevendo uma tempestade aih ela resolveu deixar um celular velho comigo, caso eu acontece alguma coisa. Ela teve que colocar cinco euros de crédito no celular. Eu nao fiz uma ligação, nem toquei no negocio e no final ela me cobrou os cinco euros. Muita raiva nessa hora, fui embora de lah muito contente.

Me disseram que era muito dificil mudar de familia no Cavilam, que tinha que chorar, fazer escândalo. Não é bem assim não. Logo no começo da nosso estadia, tivemos uma reunião com duas representantes da Egide. E uma das primeiras perguntas que elas fizeram era se estava tudo bem na familia francesa. Se não tivesse,era soh ir reclamar. No mesmo dia, eu fui falar com a responsavel pelas mudanças. Ela disse que eu estava numa casa muito boa, ela não iria encontrar casas mais proximas e que achava melhor me dar um prazo pra eu pensar melhor. Esperei uma semana, a semana em que fiquei doente, e fui lah pedir de novo. Ela soh fez perguntar que tipo de familia eu queria e disse que iria procurar uma. No outro dia, chegando no Cavilam, me informaram que eu mudaria no dia seguinte pra uma casa em Cusset, a 3,5 Km de Vichy. Não sei qual o peso de ser aluno das écoles centrales, mas eu não foi preciso dizer muito, soh que queria mudar. E eu disse que queria mudar porque ficava muito tempo sozinha na casa.

Depois da noticia que o aluno pediu pra sair, o clima fica meio estranho na casa. Mas, as pessoas estão habituadas. Tive que jantar com a mère antes de ir embora, no dia seguinte (que dia feliz!). Pensei que fosse ser mais tenso, mas foi tranquilo. As vezes ela queria falar, reclamar mas eu mudava de assunto. Tava muito contente por saber que estaria em outra familia e apreensiva porque não sabia se iria pra um lugar melhor ou pior.

Agora estou morando longe, ainda sem internet, mas muito contente por morar numa casa onde as pessoas são felizes. Depois posto sobre a nova familia.



O rafting

Sabado eu acordei com um pouco de dor de cabeça, realmente queria desitir do rafting. Porém, jah era tarde e o passeio tinha me custado vinte euros. (No Cavilam, quando a gente quer desistir de uma atividade paga, é soh informar com 24 horas de antecedencia que eles devolvem o dinheiro). Acho que o que mais me incomodava era ter que ir e voltar de bicicleta. A preguiça às vezes doi.

Mas eu fui. E foi muito legal.


O rio artificial.

Muita gente dizia que era muito bobo, que o rio não era de verdade. Mas não é porque é artificial que vai ser facil, a equipe de rafting da cidade usa esse rio pra treinar. Parece um tobogã de parque, soh que bem grande, fundo e correnteza ..rsrsrs Tem umas quedas altinhas, obstaculos e a correnteza é forte. Enfim, dah pra se machucar e dah pra se divertir. E saber que não é um rio de verdade meio que tranquiliza, você sabe o que vai encontrar pela frente. Assim, nao é que seja totalmente artificial, eles desviaram uma parte do rio e colocaram as quedas d’agua artificiais, as pedras e as barreiras como obstaculos. Quando o percurso acaba, a gente estah dentro do rio de verdade, mas numa parte tranquila



Acho que esse era o barco dos espanhois.

Pra mim foi um pouco dificil se manter dentro do barco. O unico jeito de você se segurar lah dentro enquanto rema é enfiar os pés por baixo dos acentos. E meu pé é muito pequeno...Mas sem duvidas o mais dificil é quando a gente chega no final. Eh necessario tirar o barco da agua e andar com ele alguns metros, até um carro que leva os leva de volta pro começo do rio. O barco não é muito leve, tem uma escada no caminho e logo que a gente sai da agua, tem muita planta, com espinhos! Nos descemos o rio cinco vezes (por nos entendasse a equipe do barco, seis pessoas).
O lugar era muito bonito, pra variar. Eh um parque aberto, logo tinha gente que passava fazendo ciclismo, caminhado ou mesmo passeando com os filhos. Na borda do rio, havia um banquinho de madeira e um casal de velhinhos sentados soh mangando da gente, no minimo. E também uma ponte bem em cima da queda mais alta, ou melhor, dos gritos mais altos.

No nosso barco estavam a animateur Julie (logo na frente de capacete na mao), o chinês à esquerda, Livia e Ana à direita e uma russa, do lado do chinês.

No final, meu tênis estava pedindo socorro, eu estava totalmente molhada (obvio), com alguns pequenos ferimentos na perna, os braços bem doloridos e bem contente por ter feito algo que eu jamais tinha imaginado fazer.
A noite (não posso colocar qualquer tipo de acento em letras maiusculas), tivemos visitas para o jantar. Erik e três amigos vieram jantar conosco. Foi bem animado. E também recebemos o quarto e ultimo estudante do Cavilam na casa: Eduardo, ele é mexicano. Nossa, ele trouxe umas pimentas pra gente comer...os franceses passaram mal, era muito forte, e o mexicano comia como quem como cenoura. Eu nem ousei.

A pimenta, não é pimenta-de-cheiro, é muito forte.




Um bando de franceses tomando caipirinha. O mais ao fundo , vestindo o casaco da irmã, é o Erik, filho mais velho.






Um dos cachorrinhos que tem la na casa, esse é o Tom. Tem também a Vulcane.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Accrobranche ficou para proxima

Sabado passado foi um dia diferente. Foi a primeira vez que fui sozinha de bicicleta pro Cavilam e tinha um passeio super legal me aguardando...
Foi muito tenso andar de bicicleta perto dos carros, sem ter certeza do caminho e sem conhecer as placas de transito francesas que sao totalmente sem sentido...E sem tempo! Eu tinha 15 minutos pra chegar. Nao tinha despertador, nao acordei a tempo.

Jah viu neh? Demorei 35 min e perdi o onibus do Cavilam que ia levar a gente para um club praticar arvorismo, ficar andando lah por cima das arvores e tal. Eu cheguei no lugar marcado e voilà...o canto mais limpo, sem onibus, sem passeio.
Como tem um accrobranche em Vichy, eu resolvi ir ateh lah, com esperança de que fosse o lugar certo. Mais 20 minuto de caminhada num dia um pouco frio e com um notebook de 3 Kg nas costas. Chegando lah tinha um carro do Cavilam estacionado, esperança...Entrei, perguntei e nao, nao era lah. Eles tinha ido pra um parque maior em outra cidade. Soh me restava fazer o caminho de volta. Como nao tinha nada pra fazer, fui pelo caminho mais longo, por dentro dos parques. A vista era bem bonita.

Algum parque proximo daqui.

Chegando no Cavilam, encontro um coreano perdido. E resolvo mostrar a ele o centro da cidade. Oh que alma caridosa! rsrs Comprei tambem um despertador! Que jah tah quebrado...definitivamente nao eh pra mim acordar cedo. Encontrei uma parte do nosso grupo de brasileiros (aqui tem muuuuito brasileiro) e fomos fazer o mini-pique-nique de todo sabado.



As 14:15 ia ter um outro passeio pra conhecer uma cidade aqui perto, Moulins. Era o mesmo preço do Accrobranche. Consegui trocar. Detalhe eh que o onibus atrasou uns 20 minutos! E depois, conversando com o pessoal que foi, descobri que perdi o primeiro passeio por 5 minutos.



A moça de preto apontando era nossa guia.

Fui entao à Moulins. Muito bonita a cidade. Mas esse negocio de visitar cidades por 3 horas nao eh tao legal. Depois que voce vai na terceira parece que eh tudo igual..rsrss Nao dah pra aproveitar muito. Vimos as maquetes de quando a cidade foi construida, acompanhamos a guia, entramos em uma catedral (tava tendo um casamento lah dentro). Enfim, passei o dia andando com o notebook nas costas e cheguei em casa muito cansada.

Maquete da cidade em 1400 e lah vai...

Eu no centro de Moulins.

Pequena observaçao: Foi no mesmo dia da foto da bicicleta viu? Eu ainda tomo banho e ainda troco de roupa...rsrs

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As semanas passadas








O tempo aqui passa muito rapido. Tem muita coisa pra fazer, muita coisa pra esperar e muito com o que se surpreender e se habituar.


Semana passada me mudei. Casa nova, vida nova. Agora estou morando num lugar muito particular: uma familia francesa apaixonada pelo Brasil, que tem arte por todos os cantinhos e muito alegres. Moramos eu, Ana (a dona da casa, ela é psiquiatra infantil), Agathe (filha mais nova), Louise (filha do meio, eh atriz de teatro), Eric (foi ele que me recebeu na casa, nao mora lah mas aparece com frequencia), Said ( uma especie de filho da Ana, ele morava no Marrocos e estuda na França), Tak (japones e estudante como eu), Yen (o chines que me emprestou a bicicleta!), dois cachorros gigantes, obedientes e meigos(Tom e Vulcania), mais dois gatos ( soh vi o Maurice ateh agora) e voilà...acho que agora nao fico mais sozinha. A casa eh muito linda, no sentido poético. Eh cheia de historias e convidados. Meu quarto é ainda maior que o primeiro. E a principal regra lah é se sentir bem. Soh isso.

Soh pra nao passar em branco, semana retrasada (faz tempo hein?) eu visitei o Château de Busset, um castelo que começou a ser construido em 1200, bem novinho (os franceses nessa época mediam 1.30 m). Ele impressiona pelo tamanho, eh o maior da regiao de Auvergne, onde fica Vichy, e pela beleza. Estah tao bem conservado que funciona como hotel, apenas com 10 quartos disponiveis. Tem uma senhora de 80 anos que ainda mora lah, claro que numa pequena parte do castelo. Tem um gato da realeza lah tambem. Mas o melhor de tudo foi o guia, muito engraçado. Pena que a gente nao podia tirar fotos no interior do castelo.


Jah visitei, com o Cavilam, as cidades de Clermont e Moulins, cidades historicas que ficam aqui perto. Pra dar uma ideia: a decisao de empreender as Cruzadas foi tomada numa praça no centro de Clermont. Lah tambem nao se morre de sede: existem fontes de agua potavel na rua, bem medieval.


Jah fizemos varios pequenos pique-niques nos fins de semanas, vimos a grande queima de fogo de 40 minutos no 14 de Julho, teve a Soirée International onde cantamos o hino e pagamos muito mico no Cavilam, começei a andar de bicicleta porque eu moro bem longe do curso...e infelizmente as fotos nao estao todas comigo :(

O que mais? Ahh, jah fiz muita coisa...mas vou deixar o que passou e começar a escrever sobre o presente, senao perde a graça.

Beijos