sábado, 23 de outubro de 2010

Independente da cultura

O que é normal e o que é normal para você.

Não existe nada independente da cultura. E não existem coisas normais. Existem coisas normais para nossa cultura. E por isso que viajar, conhecer outros paises, é algo tão fantastico, enriquecedor. Você percebe que existem bilhões de pessoas por ai que fazem coisas e pensam de uma forma muito, mas muito diferente da sua. E percebe que as coisas que você acreditava serem iguais para todo mundo, simplesmente não são. Quando se ouve a mesma coisa, desde que se entende por gente, você acha que aquilo é verdade para todos, que não tem como ser diferente. Eh assim e pronto. De repente você pega um avião, e percebe que aquilo era verdade pra você, na sua cultura. E assim a gente encontra formas diferentes de pensar e de resolver os problemas.

A nossa cultura é o que nos define, é o que dita nossos habitos. Acho que não existe nehuma noção tão basica a ponto de não variar de uma cultura à outra. Os chineses não dão a minima se comem de boca aberta. Simplesmente la não existe a pessoa que diz "come de boca fechada menino!". Comer de boca aberta e fazer barulho (para o meu desespero..Rsrs) é pra eles algo tão normal como comer com palitos. Eh impressionante ver um engenheiro não saber segurar um garfo e uma faca. Gente, um garfo e uma faca! Qual a dificuldade? Ai você pensa que aquela pessoa nunca fez isso antes na vida, ela sempre comeu com palitos. Ai você para (do verbo parar) para pensar na primeira vez em que tentou comer com os malditos palitos, e no quanto foi dificil! Pelo menos pra mim foi.


No post anterior citei os casos das bizarrices dos franceses colocs do pessoal. A minha coloc foi a que colocou a tampa da lixeira do banheiro na pia da cozinha. Ela tem convicção de que a tal tampa não é algo sujo (mas tah no banheiro pô!). Até porque aqui não se coloca papel higiênico sujo na lixeira. Pra que ficar com um recipiente cheio de papel sujo dentro do banheiro, acumulando bactérias, se eles são biodegradaveis e se podemos simplesmente dar descarga neles?

Obrigado por jogar o papel higiênci na privada.
Ou proibido jogar o mesmo na lixeira.

A minha coloc, a Marie-Caroline, ela é bem paranoica com umas coisas. Tudo que eu compro, que são as coisas que EU como, ela vai olhar a validade. Eu abri um pote de sorve e deixei no congelador por dois dias, depois fui comer. Ela deu um pulo. Eu não poderia comer porque ja teria vencido. Mas era sorvete! Uma vez o pano de prato caiu no chão, que tinha acabado de ser limpo. Ela disse que o pano não poderia mais ser utilizado e colocou para lavar. Adivinha onde??? Em cima da lixeira do banheiro!! rsr

Quanto ao Causo da Falta De Banho dos Franceses, acho exagero e não acho justo. Eh fato que se você sair de metrô (no nosso caso Tram) no meio do verão, é quase certeza sentir o bafo de asa, como diz a gaucha, dos franceses. Porém não são todos e são normalmente os mais velhos. Ja em relação os indianos, até hoje não conheci um que não fedesse. Sério! E pros marroquinos, somente um. Ainda não sei por que, mas eles parecem não saber do ultimo lançamento altamente tecnologico, o anti-transpirante.
Acho que não ficaram dizendo isso para os franceses e indianos quando pequenos. Sera que essa é nossa noção de higiene?

Mas ai eu parei pra pensar, por que a gente toma tanto banho (que em francês quer dizer um banho por dia)? Acho que fazemos isso mais para não feder do que por higiene. Ninguém quer ficar fedorento! Mas eles não se importam. Eles, os indianos e alguns franceses, não se incomodam de feder, é super natural. E não existem milhões de doenças desenvolvidas pela falta de banho. Eu continuo tomando um por dia, mas com o começo do frio vou contar que é dificil...rsrsr (isso soa tão porquinho). Não temos aquecedor no banheiro e agua tah saindo tão gelada que o aquecedor de agua nem esta esquentando tanto. E temos quantidade de agua quente limitada, alguns litros por dia. Nao daria para tomar dois banhos por dia (que no exato momento soa como um grande absurdo) nem se eu quisesse. E não acho que tenha menos higiene por isso.


O francês e seu pão. Vai dizer que não é mais pratico?

Tem o causo da baguete( pão grande) também. Francês, mais parisiense, não se importa de comprar um pão sem saco e colocar em baixo do braço. Alias, eles não se incomodam que a vendedora pegue o dinheiro e com a mesma mão, sem luvas, pegue o pão. Uma vez vi uma brasileira aqui reclamando disso. Dizendo que iria ficar rica se montasse uma padaria aqui, porque todos usariam luvas e seria muito mais higiênico. Ela so não percebeu que isso não faz a menor diferença para os franceses.

Olha eu ai com a baguete no colo.

O mais estranho é quando os médicos mudam o discurso. Até a medicina depende da nossa cultura. No Japão, as mulheres não tomam anticoncepcional, ou evitam tomar, porque os médicos não recomendam. Porque, palavras de um japonês, é algo que faz tão mal ao organismo, podendo gerar cancêr, que não vale a pena tomar. No Brasil, os médicos aconselham, o remédio regula o organismo, serve até como tratamento estético, ja que diminui o nivel de inflamações na pele. Quanto à maneira correta de comer: o milésimo Globo reporter sobre nutrição, mostra os médicos dizendo que se deve comer a cada três ou quatro horas. Assim se evita comer muito em casa refeição. Para médico francês não é assim. Você deve comer somente três vezes ao dia, e ai você pode comer e deve comer muito. Com direito à entrada, prato principal acompanhado de pão, queijo, vinho e sobremesa. Mas nada de comer entre as refeições, nada mesmo. Caso contrario você engorda. Para eles, comer a cada três horas é comer o dia inteiro, isso foi a médica que me falou. Eh basicamente o oposto do que se diz no Brasil. E enquanto parece muito mais logico o jeito brasileiro, os franceses são famosos pelo baixo indice de obesidade. (Abro parênteses pra dizer que não sei como com tantas coisas gostosas em toda esquina!).

E brasileiro também é engraçado. Enquanto ficam reclamando da falta de banho dos franceses, que é altamente não higiênico, tem gente que acha super chic quando eles colocam uma bola de fungo, ops um pedaço de queijo, na boca. Tem gente que paga caro so pra poder comer fungo também no Brasil. E o negocio nem gostoso é. Quantas vezes não ouvimos "Ah! mas por que os queijos franceses bla bla bla"?

Quanto aos restaurantes, acredito que eles não precisem lavar pano de chão na cozinha rsrsr. E não sei como são as regras por aqui. Mas eles parecem bem mais rigorosos quanto à validade dos alimentos do que no Brasil. Ah e o que sai de dentro da cozinha é tão perfeito que a gente nem se importa! rsrsrs

Semana passada fui visitar uma industria alimeticia (que por sinal é incrivelmente linda e bem estruturada, adorei a visita!). Era a industria da LU, umas das marcas de biscoitos mais famosos daqui, e olha que tem muitos, e um melhor que o outro. No meio do discurso o engenheiro falou: "Porque hoje as pessoas tem menos tempo para comer, tentamos desenvolver um produto que sirva como café-da-manhã e que seja rapido. As pessoas não podem ficar sem café-da-manhã, ninguém quer engordar". Pensei: caraca! para eles é tão natural associar um bom desjejum com o baixo acumulo de gordura durtante o resto do dia, que é senso comum. Quer emagrecer? Come bem de manhã!

E sobre a comida... O grande problema da culinaria francesa não é se adaptar à ela, é conseguir parar de comer! E impossivel vir pra ca e não se encantar pela culinaria. Não da pra vir pra ca e não comer. A fama deles não é à toa.


Quem se importa com a cozinha? rsrsrsrsr

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O outono

Folhas no começo do outono

Pois é, o outono começou e não foram somente as folhas que começaram a cair.

O frio esta chegando e é interessante observar como esse negocio de frio varia segundo a pessoa. Ja tem francês coberto dos pés à cabeça, enquanto outros ainda andam de bermuda por ai. Eu acho que estou no meio termo por enquanto.

A transiçao verão-outono foi marcada por muita chuva. O tempo fechou, o sol sumiu e choveu por mais de uma semana. Achamos que não veriamos mais o sol por um longo tempo. Porém ele voltou! Mas o frio ficou. E estranho e bonito. O sol esta la brilhando bem bonito, mas faz um frriiiioooo. Tipo sete graus ja é bem frio, e quando tem vento, ai soh com muito cachecol.

Ontem fez -1 e a grama amanheceu com uma fina camada de gelo, que por sinal eu não vi. Outra coisa é que oito da manhã o sol ainda não nasceu. Parece que você esta saindo de casa de madrugada para ir à aula. Hoje acordei cedo e sai de casa quinze minutos antes da aula. Não tinha ninguém na école!!! Parecia que eu estava lah, adando sozinha, de madrugada. Quando na verdade eu estava às 7h40 indo pra aula das oito.

Os acentos


Analisando o titulo do post abaixo, deu vontade de explicar de novo, pela milésima vez, que o teclado francês nao me permite colocar acento os agudos em qualquer outra vogal fora "e", que ja vem acentuado. E também não permite colocar "e" acentuado e maiusculo, ou qualquer vogal maiuscula acentuada.
E mesmo acentuar com "~" é chato porque tem que apertar o AltGr.
Claro que existem varios erros de português não relacionados à isso, mas sempre tenho a boa desculpa do teclado.

Vigilância Sanitaria

Por que eles são tão sujinhos? Ou sera que somos nos, brasileiros, muito paranoicos com limpeza?

Não sou somente eu que reclamo. Não são somentes as meninas que reclamam. Todo mundo comenta.

Sabe você ver alguém pegar a toalha que toma banho, jogar no chão e pisar em cima para secar os pés e depois guardar a toalha? E limpar o talco do pé que caiu no chão com a esponja de lavar louças? E lavar tampa de lixeira do banheiro na pia da cozinha? E colocar pano de chão na pia da cozinha?!

Comer queijos com fungo é fichinha perto disso.

Atualizando...

So para tentar atualizar um pouquinho sobre a école e o meu lado esportivo.
Os progressos na cozinha, a falta de higiêne francesa, as greves e preparativos para viagem...ficarão para a proxima.

Para começar, um negocio nada a ver. Estava vasculhando o Conexão Paris (um dos blogs mais visitados sobre a ville), e encontrei isso : http://www.conexaoparis.com.br/2010/09/30/curso-de-frances-na-franca/ . Eh um artigo sobre o Cavilam. Eu estive lah!

Bom, as aulas na école ja começaram ha um mês e meio, descontando periodo de integraçao. O sistema aqui é diferente. Primeiro que não temos horario fixo. Temos no site da école o Emploi du Temps, uma tabela com local e hora de todas as aulas até o fim do semestre. Toda semana temos aulas diferentes em salas e horarios diferentes. Aqui os 360, ou quase, alunos são divididos em duas Promos (A e B) e cada uma é dividida em grupos menores de 25, ou quase, alunos. Eu sou da Promo B e grupo G.

Temos também diferentes tipos de aula para uma mesma disciplina: Amphi e Travaux Dirigés (TD). O Amphi é num anfiteatro (OOOOOooo) e é para toda a promo. Ja o TD é para o grupo, numa sala normal. E geralmente se faz exercicios sobre o conteudo que você não entendeu no Amphi, que não é obrigatorio. Enfim, pra mim que nunca estudei Termodinâmica séria na vida; muito menos mecânica dos fluidos ou Analise numérica ou linguagens sinistra de programaçao de automatismos ou otimizaçao de processos ou fisica da matéria...tah sendo bem dificil.

A vantagem é que soh temos uma prova por semestre (isso é vantagem?) logo não preciso me desesperar agora...rsrsr Os estrangeiros tem algumas vantagens nas provas e nas avaliações também. Em resumo, como eles sabem que estamos longe de casa e não somos experts em francês, eles amenizam um pouco. Exemplo, temos 30 minutos a mais nas provas. Aqui também tem os TA's e TP's que são trabalhos em autonomia, a gente controla nosso tempo, e trabalhos praticos em laboratorios. Por sinal, francês em laboratorio e fazendo relatorio é bixo engraçado...eles fazem relatorio à mão. Imagina isso na UFC!

Além dos cursos técnicos temos aulas de Comunicaçao (acho legal!), Economia, Projeto Profissional, visitamos empresas, as empresas nos visitam também. Uma empresa uma vez veio se apresentar, deixar contato. Tivemos palestra sobre management, em inglês. Também temos aula de inglês, que so começam mês que vem. E para os estrangeiros, francês.

E como se tudo isso e os clubs não fosse suficiente, temos também esporte! As aulas normais com professor que me matam, ops! que se passam toda sexta e o TA de esportes, no qual você escolhe um e tem que cumprir um numero de horas por semestre. Tem muita opçao: remo, tênis, voley, rugby, escalada, tênis de mesa e por ai vai. Eu escolhi badminton. Mas ainda não comecei a fazer devido ao tornozelo meio torcido e à preguiça. Na aula de esportes eu sou de longe a pior. O professor fica perguntando se ta tudo bem o tempo todo, ele acha que eu vou morrer no meio do treino. Eu também. A prova final é dar a volta no rio Erdre em 45 minutos, são quase seis quilômetros!!! Diz o professor que eu vou conseguir. Pobre alma inocente.

Hoje até que fiz progressos. Apos duas semanas parada porque o tornozelo começou a inchar (cai de uma escada no Cavilam, muito tempo atras!), voltei pra aula hoje. No meu caso, que sou FAIL, teria que correr 300 metros em 1min55, depois caminhar por 1 minuto. E fazer isso dez vezes seguidas. Não parece tão horrivel agora, mas com o frio que estava fazendo e a minha completa falta de preparamento, sofri, o professor ficava me consolando...rsrsrs. Mas consegui fazer até o final!!! Na primeira aula, ele mandou todo mundo sair correndo na beira do rio. Assim, do nada! Depois ele perguntou quem estava ha um ano sem fazer esporte, ha dois e ha três, para dividir em grupos. Eu perguntei se não tinha a opção ha vinte!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Duplo Diploma: processo de seleção

Ha alguns minutos descobri que as entrevistas finais do Processo de Seleção para o Duplo Diploma começam amanhã. E como não postei nenhuma informação a tempo no blog, não ajudei ninguém. O que me deixou bastante triste pois quando eu estava me preparando obtive bastante ajuda. Lembro do email da Débora (Centrale Paris) que eu passei dias esperando, mas que chegou a tempo, e que foi muito importante para a minha entrevista, as perguntas e mais perguntas que eu fazia a todos no caminho.

O processo de seleçao na UFC (na UFC, pois cada uma das seis universidades participantes tem seu proprio metodo) se da em quatro fases: analise de curriculo, prova de matematica, entrevista com comissao da UFC e, por ultimo, a tão aguardada entrevista com a comissão francesa.

Me inscrevi na seleçao soh por me inscrever, não tinha muitas esperanças de conseguir. Tinha certeza que não conseguiria. Para mim, os alunos que estavam na França participando do Duplo Diploma eram quase semi-deuses...rsrsrs Seria impossivel fazer algo igual. Para minha surpresa, ao contrario das dezenas de alunos que eu achava que iriam se inscrever, tivemos catorze ou treze candidatos, se não me engano. Eu era a unica menina.

Meu IRA, a nota geral que temos na UFC, não estava tanto entre os melhores, mas tudo deu certo na analise de curriculo. Proxima fase seria uma prova de matematica. Perguntei aos veteranos quais as questões do ano anterior e me concentrei em estudar cada um dos cinco assuntos, resolvendo exercicios. Sorte que mais da metade do conteudo cobrado eram de disciplinas que eu estava estudando, ou seja, uma semana de estudos foi suficiente. Nao sei que nota tirei, mas deu pra passar.

A primeira entrevista foi marcada, seria com os professores que organizam o programa na UFC. Professores com os quais passamos a ter bastante contato apos o resultado final. Lembro que havia me preparado para perguntas basicas: por que queria participar? qual meu plano profissional? o que eu conhecia do programa? Tambem pesquisei um pouco sobre as principais empresas francesas. E a primeira pergunta foi.... fale sobre você e sua familia. Eh, para isso eu não tinha me preparado. Fiquei nervosa e saih da sala com a certeza de que não iria passar dessa fase. Quando saiu o resultado, todos nos haviamos passado. Eramos apenas onze se não me engano.

Para a entrevista final (que, para o processo 2010, começara amanhã) senti que teria de me preparar mais. Foi quando recebi o email da Debora, com as principais perguntas, dicas, enfim. Baseado nisso, fiz uma lista de vinte perguntas principais, procurei respostas para cada uma, traduzi para o francês e passei uns três dias ensaiando com minha mãe. Ensaindo como falar alto, falar claro e decorando mesmo as frases. Nao frases aleatorias, somente frases que traduzissem da melhor forma possivel o que eu queria dizer.

Primeiro, elaborei uma pequena apresentaçao da minha pessoa, falando de familia, de estudos, um pouquinho do meu percurso, as dificuldades que enfrentei. E depois foram as tipicas: por que eu quero participar, o que eu conheço, quais meus planos para o futuro, por que esse programa seria importante para esses planos, o que eu espero do programa, o que eu conheço das ecoles, da França. Tambem quis mostrar que fazia muito tempo que conhecia o programa e por causa dele tinha começado a estudar francês antes de entrar na universidade. Me preparei para falar de empresas, em quais gostaria de fazer estagio. Tambem, citar pontos fortes, falar sobre o curriculo e tudo isso em francês. Mostrar que seria capaz de morar longe, de resolver os problemas sozinhas. Outra coisa: elaborar questões. Na primeira entrevista, me perguntaram se eu tinha alguma duvida em relaçao ao programa, o que eu queria saber mais, e eu não tinha muito o que falar.

No dia da entrevista, nem precisa dizer que as quase duas horas para chegar na UFC foram uma das mais longas da historia. Damas primeiro, eu seria a primeira a ser entrevistada.

As entrevistadoras chegaram. Apos algum tempo esperando e conversando com a professora Natalia, o que foi muito importante naquele dia, entrei na sala de entrevistas. Quando a entrevistadora (Emilie, que jah revi algumas vezes aqui na França) disse "bonjour" e perguntou, em francês, se eu preferiria fazer a entrevista em francês ou inglês, e eu entendi o que ela falou, foi muito legal. Era a primeira vez, depois de dois anos e meio estudando, que eu ouvia um nativo falando francês, e era muito lindo....srsrsr. A unica frase que explica o que aconteceu foi: baixou o santo. Eu estava muito calma, eu ainda conseguia me lembrar bem de todas as perguntas e respostas. Eu sabia por onde começar.

A entrevista foi tranquila. Elas não eram pessoas que estavam ali pra te desestabilizar, te medir. Elas queriam conhecer os alunos, e até explicar possiveis duvidas. Num ponto da entrevista, elas falavam mais que eu. Me perguntaram quase todas as questoes acima e mais duas que eu não estava esperando. Havia me preparado para falar um pouco sobre a cultura francesa, o que eu gostava, alguns filmes que tinha visto. E elas me perguntaram qual o ultimo filme francês que eu tinha assistido. O problema é que eu soh tinha visto dois. E se elas perguntassem sobre outro? rsrsr Outra coisa para qual não havia me preparado: apontar um defeito. Tive que desenrolar na hora. Falei sobre timidez.

Enfim, tudo que eu havia preparado foi utilizado na entrevista. Preparei também uma pequena conclusão, para resumir a mensagem que eu queria passar. Mas acho que até esqueci de dizer no final. Sai da sala contente, não achando que iria passar, mas feliz por ter feito o melhor, ou quase. Com o passar do dia, o otimismo foi sumindo.

Dai para frente foi so angustia até sair o resultado final.

Muito tempo depois, jah em Vichy, recebemos a visita da Emilie Poirson, num almoço com os alunos que iriam para Nantes. Ao final da reunião perguntei, francamente, por que nos tinhamos sido escolhidos, não os outros? O que era realmente importante?

Claro que ela disse que seria dificil responder à essa pergunta, pois são muitos os fatores que contam. Porém, o principal seria mostrar que tem um objetivo com o programa, que não é so do tipo "ah quero ir pra França". Eh saber o que quer fazer. Apos as entrevistas, os entrevistadores se reunem e decidem quem serão os aprovados. Nessa hora, o curriculo conta, as notas contam, mas conta sobretudo a impressão que se deixa na entrevista, a idéia de que, se aprovado, você sera capaz de seguir em frente com o programa.

E apos tanto tempo que isso tudo começou, antes de dormir, às vezes ainda penso: que foda estar aqui! Fazem três meses que tudo começou e ainda parece surreal.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ainda estou viva!

Pois é...a vida real começou, a tão esperada internet não chegou e o blog foi temporariamente abandonado. Peço desculpas a quem vinha acompanhando, espero que ainda exista alguém lendo! rsrs

Fazem um mês e dez dias que cheguei à école. Juro que parece que faz um semestre que estou aqui. Nesse tempo tivemos o periodo de integraçao que durou três semanas e o começo das aulas, com varias palestras e apresentaçoes sobre a école. Como faz tempo, muita coisa não tem mais graça contar, sorry.

Na école existem muuuuitos clubs e associaçoes. Os principais são BDE, BDS e BDA. Grupos responsaveis pelos alunos e eventos mais gerais, o grupo de esportes e o grupo de artes. O BDE é o responsavel por acolher os estudantes estrangeiros, por exemplo. AH..tem muito club: vinho, musica classica, salsa, violao, jogos de carta, RPG, kart... e tem também clubs mais sérios como o que organiza o Forum Atlantique, que é um evento onde as empresas vêm à école, tem a Empresa Junior, tem o Engnenheiros sem fronteiras...tem até um club que desenvolve projetos para o sertão do Nordeste, problemas relacionados à carência de agua: Nantes Eau Brésil. Um dos eventos de integraçao era uma soirée de apresentaçao desses clubs.

O primeiro encontro de toda a Promo, que sao todos os alunos que entraram esse ano, 370 ou algo do tipo no total, deixou bem claro como os franceses comemoram a vida..rsr Primeiro que eles cantam, cantam muito....varios gritinhos de guerra que nao tem fim. Segundo que eles bebem muito, na minha opinião, mais que os brasileiros. Terceiros que eles cantam, bebem e ficam pelados. So os seres do sexo masculino.

Existe aqui algo chamado "aluette". Na verdade, eh uma musiquinha para crianças. Na école, eh uma musiquinha pros franceses ficarem pelados. Um cara diz uma besteira, todos ao redor começam a apontar pra ele, vibrando as maos e dizendo "Ahhhhhhhhhhhhh"...aih todo mundo jah sabe que o carinha no meio da roda vai começar a tirar a roupa. E no final, quando o cara tah todo pelado, eles gritam "hélicooo, hélicoo" ,que eu deixo à imaginaçao de vocês. Achei que seria algo vergonhoso, do qual eles tivessem medo....mas não, eles parecem gostar muito de fazer o tal do aluette. Esse foi o primeiro choque de alguns que viriam.

Sem duvidas o maior evento de integraçao da école é o WEI, fim-de-semana de integraçao. Não é obrigatorio, claro, e custa um pouco caro, 115 euros. Quando cheguei, estava determinada à não participar. Não bebo, não danço e não gosto muito de festa. Mas varias pessoas disseram que era importante para a integraçao, que poucas pessoas não iam, enfim, que era meio obrigatorio. Um dia antes de acabarem as inscriçoes, teve um show da Fanfrale e foi tão legal! Acabei juntando o medo de ficar excluida depois e a vontade de aprender a coreografia da musica do Rei Leao (rsrsrsrsrs) e decidi ir, sem pensar muito.

Muitas bundas peladas, muita coisa nojenta, varias francesas chocadas com o que estavam vendo, muitas musiquinhas legais na hora das refeiçoes, poucos novos conhecidos, muuuuuuuito enchimento de saco dentro do onibus, momentos legais com as pessoas que eu jah conhecia e dois shows da Fanfrale...Enfim, nem de todo bom, nem de todo ruim, mas nao iria de novo.

Tivemos trote também! Foi muito bem feito. No programa oficial da école tinha marcado o inicio das aulas. Uma aula de Termodinâmica. E no dia anterior tinha sido alguma festa, não lembro o quê, mas todos tinham dormido tarde. O diretor da école da alguns avisos e depois apresenta o professor de fisica. Num auditorio com 300 alunos, o professor chega, começa a dar aula, falando muito rapido, e passando formulas e mais formulas. E muito sério, muito sério. Eu não desconfiei de nada. Ficava soh pensando: "pronto! vou me lascar aqui, nao entendo nada!".
O professor para, diz que vai fazer chamada, 300 alunos! Ele sai, a gente fica lah dentro sem saber o que fazer. De repente as luzes se apagam, começa a brilhar uma luz meio de boate e tocar musica e os alunos do BDE entram correndo no auditorio. Foi muito legal! Um alivio enorme! Depois todos os grupos entraram e foram se apresentar. E por ultimo a Fanfrale entrou tocando.

Depois tivemos Soirée Parrainage, Apartathlon e algumas outras. Cada aluno na école tem padrinho ou madrinha veterano, que você pode perturbar caso precise de ajuda. A Soirée Parainage é pra você descobrir seu padrinho. A gente entrava no auditorio e dividido por ordem alfabéticas tinham varios objetos. Você ia, procurava seu nome, pegava o objeto correnspondente e ia procurar o dono, que é o padrinho. No meu caso era um blusão da école, com o apelido do meu padrinho. Como você vai sair perguntando, você acaba conhecendo varias pessoas no caminho. Depois tem o Repas parrain-fillot e fillot-parrain. Uma vez é o padrinho que te convida pra jantar, outra é você que tem que convidar. Normalmente, as pessoas habitam em colocaçao, então são varios padrinhos e varios fillots juntos.

O Apartathlon é a visita aos apartamentos do pessoal veterano. Soh visitamos os brasileiros e depois voltamos pra casa..rsrsrs

Finalmente, as integraçoes acabaram! Porque no meio disso tudo tinha aula e pouco tempo. Sobre as aulas eu falo depois.

Outra coisa: vou pra Paris!!!! No fim de outubro temos uma semana de feriado. Conclusão: conhecer Paris é claro! As passagens jah estão compradas e ficaremos, eu e a Claudia (UFRGS), no apartamento da Maira (POLI), na Centrale Paris.